Ambipar: o colapso de uma promessa “verde” que custou caro aos investidores
Ambipar (AMBP3) despencou mais de 98%, destruindo valor e confiança no mercado. A empresa, que já foi símbolo do ESG, acumulava endividamento bilionário e margens negativas — sinais ignorados por muitos investidores. O colapso atingiu não só as ações, mas também COEs atrelados ao papel, mostrando que, no mercado, narrativa não substitui fundamentos.
RADAR BOLSA
Carolina Vargas
10/9/20252 min read


A Ambipar (AMBP3), empresa que ganhou destaque nos últimos anos como referência em gestão ambiental e soluções sustentáveis, tornou-se um dos casos mais emblemáticos de destruição de valor na Bolsa brasileira. As ações acumulam queda superior a 98% desde o topo, e o impacto não se limitou ao mercado acionário: investidores também amargaram perdas em produtos estruturados, como os COEs (Certificados de Operações Estruturadas), que tinham o papel da companhia como ativo de referência.
Do auge à derrocada
Durante o ciclo de euforia com o tema ESG, Ambipar foi tratada como uma “queridinha” do mercado. Com discurso ambiental moderno, aquisições em série e promessas de crescimento exponencial, atraiu fundos e investidores pessoas físicas que buscavam exposição ao segmento “verde”.
O problema é que o crescimento agressivo veio acompanhado de um endividamento colossal. Hoje, a empresa possui dívida bruta superior a R$ 11 bilhões, enquanto seu patrimônio líquido é pouco acima de R$ 1 bilhão. O resultado é uma alavancagem insustentável — que o mercado, inevitavelmente, precificou.
Indicadores que acenderam o alerta
Os fundamentos já davam sinais de alerta há muito tempo:
Margem líquida negativa
ROE indicando destruição de valor para o acionista
P/L negativo, reflexo de prejuízos recorrentes
Dívida líquida muito superior ao patrimônio
Enquanto o preço das ações subia mais de 2.000% em seu auge, poucos notaram que os números não fechavam.
COEs e o efeito dominó
Além das ações, muitos investidores também foram impactados pelos COEs lastreados em Ambipar, vendidos por bancos e corretoras durante o período de valorização. A estrutura, apresentada como “protegida”, acabou revelando o risco real de concentração em um ativo altamente volátil e sem fundamentos sólidos.
Esses produtos, que prometiam ganhos atrelados ao desempenho da ação ou de cestas ESG, acabaram resultando em perdas totais ou retorno zero.
O mercado, mais uma vez, apenas precificou
No fim das contas, o mercado fez o que sempre faz: precificou a realidade que muitos insistiram em ignorar. E a lição é clara — não existe retorno sustentável sem fundamentos sólidos.
O caso Ambipar mostra que, no mercado financeiro, propaganda não substitui lucro e narrativa não paga dívida.
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Este conteúdo possui fins exclusivamente educativos e informativos. As opiniões aqui expressas refletem minha visão pessoal e não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos.
Não sou analista de valores mobiliários e o site Radar Preditivo não realiza qualquer tipo de assessoria ou consultoria de investimentos.
Invista com consciência. Estude, questione e busque sempre embasamento antes de tomar qualquer decisão financeira.ples: a independência de pensamento é uma das maiores armas do investidor de sucesso.
Carolina Vargas - Radar Preditivo
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